Apoio aos Xavante


Cacique Xavante,Celestino, espera sentado no chão da Casa Civil o respeito aos Povos Indígenas

O Acampamento Indígena Revolucionário apóia os Povos Indígenas Xavante do Mato-Grosso. Os Xavante devem se organizar com os organismos internacionais e levar o estado do Mato-Grosso ao tribunal. A Ditadura Militar continua para os Povos Indígenas, com tortura e massacres. Pedimos socorro aos países vizinhos, como Evo Morales, Hugo Chávez para conduzir as denúncias para OEA. Vitória aos Xavante e aos Povos Indígenas!

"ESTAMOS PRONTOS PARA A GUERRA!"

CARTA DE REPÚDIO DO POVO XAVANTE CONTRA O GOVERNO GENOCIDA E TERRORISTA DO ESTADO ANTI-INDÍGENA DO MATO GROSSO E OS DEPUTADOS AMIGOS DO AGRONEGÓCIO QUE APROVARAM A LEI 9.564

O Povo Xavante da Terra Indígena Marãiwatsédé repudia a decisão do Governo do Mato Grosso que, junto com os deputados estaduais, promoveu uma verdadeira obra anti-indígena, ilegal, contrariando a Constituição Federal, ao criarem a Lei 9.564 que tenta nos obrigar a abandonar o nosso território tradicional, para dar lugar ao criminoso esquema do latifúndio e do agronegócio, patrocinado por políticos e fazendeiros.

O Estado de Mato Grosso, que tem um governador anti- indígena, tem provocado muito a ira do povo Xavante. Já não bastasse o nosso território ser invadido, usurpado, arrasado por tantos anos, agora tentam nos obrigar a embarcar mais uma vez na caravana do êxodo. Não vamos abrir mão de Marãiwatsédé.

Os posseiros, entre eles políticos e fazendeiros, falam que estão na terra há 40 anos. Afirmamos que, nós Xavantes, fomos expulsos do nosso território, através de uma deportação oficial, que marcou profundo na história do nosso povo. O Estado do Matogrosso foi devastado pela invasão criminosa do agronegócio e pela ambição dos seus governantes. A soja e o gado não são mais importantes que a vida do povo Xavante que há anos luta para ter o direito de viver em paz dentro do seu território.

Marãiwatsédé é dos Xavante. Não está à venda! Tomamos o que nos foi roubado. Destruíram a nossa natureza, o nosso ambiente de viver, o cemitério dos nossos antepassados destruíram, quem vai pagar isso? O governo do Estado tem condição de indenizar
o que foi destruído e roubado?

Sabemos que o Governo Federal apoia a nossa permanência. Precisamos do Governo um projeto voltado para nossa sobrevivência e sustentabilidade, não esse projeto que quer dizimar o nosso povo.

Não aceitamos, queremos que o Governo do estado respeite a Nação Xavante, pois a nossa luta continua. Sempre vivemos em pé de guerra pela busca e garantia dos nossos direitos. Não negociamos, não vendemos, não trocamos o nosso território.

Honramos os nossos antepassados que vieram para essa região bem antes que qualquer um e nasceram e cresceram e estão enterrados aqui, porém vivos em cada árvore, em cada canto de pássaro, na cor da nossa pele, na força da nossa
cultura, em cada lembrança de Marãiwatsédé.

Somos o povo guerreiro Xavante, revogamos a lei anti-indígena, fazemos a nossa própria história para permanecermos vivos. Somos nós os donos dessa terra. Nós que vivemos da terra, morreremos por ela. Estamos prontos para a guerra.

Marãiwatsédé, Mato Grosso, 14 de julho de 2011.

Saudações Xavante,

Agnelo Temrite Wadzatse
CACIQUE GUERREIRO XAVANTE, MEMBRO DO CONSELHO INDÍGENA XAVANTE
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Assista o video: "FUNAI - proibido de entrar..."


AIR no ano passado: a FUNAI tratou (e trata) a manifestação dos indígenas, servidores e ativistas da causa indígena como "caso de polícia"................
Este video mostra como a máfia da FUNAI é organizada. "A FUNAI quer pisar no índio."- diz a líder do AIR, Lúcia Munduruku. Em setembro do ano passado, a Comissão Nacional de Política Indigenista (CNPI) se reuniu para aprovar o Decreto 7.056/09 na Casa do ÍNDIO, em Sobradinho - DF. Naquela época, a "bancada indígena estava completa" (de acordo com a jararaca de plantão), porém, hoje, a bancada indígena saiu da CNPI em protesto contra a máfia organizada da FUNAI.
Nós do AIR "atrapalhamos" o trabalho sujo da FUNAI neste dia e em vários outros... e iremos continuar "atrapalhando"! Pode chamar a polícia, Dr. Salmeirão, procurador vendido da FUNAI, que nós NÃO temos medo! Até a polícia reconhece que o AIR é legítimo e nega a levar presos os ativistas do AIR, neste dia memorável para as lideranças do AIR.
Assista o video


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Movimento Indígena Revolucionário na luta pela revogação do Decreto 7.056/09


Indígenas Guajajara protestam no Acampamento Terra Livre contra o Decreto 7.056/09.

O Decreto 7.056/09 leva os índios à uma anti-democracia, pois extingue muitas aldeias indígenas e as transforma em um campo de concentração. Isso significa a continuação do Holocausto da Segunda Guerra Mundial. O Movimento Indígena Revolucionário segue a sua luta contra o Decreto 7.056/09 e o exemplo está no documento abaixo, onde exigimos dos deputados: a revogação do Decreto 7.056/09; a apuração dos crimes cometidos pela FUNAI e pelo Ministério da Justiça contra o Acampamento Indígena Revolucionário; que a 6ª Câmara de Revisão de Defesa das Minorias do MPF tome providências contra o Decreto 7.056/09 e suas consequências nefastas; e, que, o TCU –Tribunal de Contas da União apure a roubalheira da FUNAI.


EXMº. SENHOR DEPUTADO RELATOR DO PROCEDIMENTO LEGISLATIVO PARA REVOGAÇÃO DO DECRETO PRESIDENCIAL DE N 7.056/09, EDSON SANTOS E DEMAIS PARLAMENTARES MEMBROS DA CDH.


REF.: REESTRUTURAÇÃO DA FUNAI – FUNDAÇÃO NACIONAL DO ÍNDIO - DECRETO N 7.056/09

MOVIMENTO SOCIAL ACAMPAMENTO INDÍGENA REVOLUCIONÁRIO, representado pelas organizações sociais de defesa de direitos e interesses indígenas ASSOCIAÇÃO PAKARARU FONTE DA SERRA, CNPJ n 08.935.212/0001-72 e CESAC – CENTRO DE ETNOCONHECIMENTO SÓCIOAMBIENTAL E CULTURAL CAUIERÉ – CNPJ n 73.295.875/0001-31, dirigem-se a Vossa Excelência para dizer e ao final requerer o que se segue:
No dia 28 de dezembro de 2009, em pleno recesso parlamentar, foi editado pelo Excelentíssimo Senhor Presidente da República o Decreto de nº 7.056 que aprovou o novo estatuto e o Quadro Demonstrativo dos Cargos em Comissão e das Funções Gratificadas da FUNAI – Fundação Nacional do Índio, denominado de Decreto de Reestruturação da FUNAI objeto das Audiências Públicas na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do e. Senado Federal e na e. Comissão de Trabalho e Serviço Público desta e. Câmara dos Deputados nos seguintes termos:
DECRETO Nº 7.056 DE 28 DE DEZEMBRO DE 2009.
Aprova o Estatuto e o Quadro Demonstrativo dos Cargos em Comissão e das Funções Gratificadas da Fundação Nacional do Índio – FUNAI, e dá outras providências.
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso das atribuições que lhe confere o art. 84, incisos IV e VI, alínea “a”, da Constituição, e tendo em vista o disposto no art. 50 da Lei no 10.683, de 28 de maio de 2003,
DECRETA:
Art. 1o Ficam aprovados o Estatuto e o Quadro Demonstrativo dos Cargos em Comissão e das Funções Gratificadas da Fundação Nacional do Índio – FUNAI, na forma dos Anexos I e II a este Decreto.
Art. 2o A letra “a” do inciso I do art. 1o do Decreto no 6.280, de 3 de dezembro de 2007, passa a vigorar com a seguinte redação:
“a) a Fundação Nacional do Índio - FUNAI, sete DAS 102.4 e quatro DAS 102.3;” (NR)
Art. 3o Em decorrência do disposto no art. 1o, ficam remanejados, na forma do Anexo III a este Decreto, os seguintes cargos em comissão do Grupo-Direção e Assessoramento Superiores - DAS:
I - da FUNAI para a Secretaria de Gestão, do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão: um DAS 101.4; e dezessete DAS 102.1; e
II - da Secretaria de Gestão, do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, para a FUNAI: cinco DAS 102.4; dezesseis DAS 101.3; três DAS 102.3; trinta DAS 101.2; trinta e três DAS 102.2; e dezessete DAS 101.1.
Art. 4o Os apostilamentos decorrentes da aprovação do Estatuto de que trata o art. 1o deverão ocorrer no prazo de vinte dias, contado da data de publicação deste Decreto.
Parágrafo único. Após os apostilamentos previstos no caput, o Presidente da FUNAI fará publicar no Diário Oficial da União, no prazo de trinta dias, contado da data de publicação deste Decreto, relação nominal dos titulares dos cargos em comissão do Grupo-Direção e Assessoramento Superiores - DAS a que se refere o Anexo II, indicando, inclusive, o número de cargos vagos, sua denominação e respectivo nível.
Art. 5o Ficam extintas todas as Administrações Executivas Regionais e Postos Indígenas de que tratam os Decretos nos 4.645, de 25 de março de 2003, e 5.833, de 6 de julho de 2006,

e criadas as unidades regionais na forma estabelecida nos Anexos I e II.
Parágrafo único. Os servidores com lotação nas unidades extintas serão removidos para outras unidades da FUNAI ou redistribuídos para outros órgãos, conforme a legislação vigente.
Art. 6o O Ministro de Estado da Justiça poderá editar regimento interno para detalhar as unidades administrativas integrantes do Estatuto da FUNAI, suas competências e as atribuições de seus dirigentes, conforme dispõe o art. 9o do Decreto no 6.944, de 21 de agosto de 2009.
Art. 7o Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.
Art. 8o Ficam revogados os Decretos nºs 4.645, de 25 de março de 2003, e 5.833, de 6 de julho de 2006.
Brasília, 28 de dezembro de 2009; 188o da Independência e 121o da República.
LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA
Tarso Genro
Paulo Bernardo Silva
Como pode ser visto, referido Decreto extinguiu as Administrações Executivas Regionais (AERs) e Postos Indígenas (Pins), criou unidades regionais sem nenhuma automia administrativa, conforme se observa nos seus anexos I e II; determinou a remoção e a redistribuição dos servidores para outros órgãos públicos, inclusive e especialmente os servidores indígenas;
Inconformados com o tratamento desrespeitoso e a desestruturação do órgão, indígenas de várias etnias vindos de todas as regiões do Brasil, no dia 29/12/09 ocuparam o prédio da FUNAI – FUNDAÇÃO NACIONAL DO ÍNDIO localizado na SEPS Quadra 702/902 Projeção A, Ed. Lex 70.390-025 - Brasília/DF para pedir a revogação do decreto e a exoneração do presidente da FUNAI. Diversas manifestações em todos os estados se repetiram com o mesmo objetivo.
No dia 12 de janeiro de 2010 duas etnias que participavam do protesto da ocupação do prédio, incitados pelos servidores lotados na presidência da FUNAI, os senhores José Raimundo Lopes, Vitorino e a Srª Salete, chegaram às vias de fato culminando com lesões graves a diversos indígenas, inclusive com traumatismo craniano em um deles. Apesar de tudo ter ocorrido no prédio da FUNAI o órgão público não tomou nenhuma medida inquisitorial para apurar a participação de servidores lotados na presidência e nem as causas da indignação indígena, ao contrario, preferiu ajuizar medida judicial para retirar os manifestantes do imóvel e intimidar os indígenas para acabar com os protestos, acionando a intervenção da Força Nacional e no dia 19/01/2010 esse órgão militar colocou um destacamento no prédio.

No dia 13 de janeiro foi publicado o Edital de n 01/2010 da FUNAI regulamentando o concurso público e que não respeitou aos princípios da diferenciação cultural, bilingüismo e nem os conhecimentos e saberes regionais e locais dos indígenas, sendo que nenhum indígena foi classificado e nem aprovado no referido concurso público;

No dia 21/02/2010 os manifestantes deixaram, pacificamente, o prédio da FUNAI e se instalaram na Esplanada dos Ministérios em frente ao prédio do Ministério da Justiça, cujo movimento foi denominado de Movimento Social Acampamento Indígena Revolucionário;

No dia 08/04/2010 foi editada pelo Excelentíssimo Sr. Ministro da Justiça a Portaria de n 564/2010 autorizando a Força Nacional a utilizar armas letais contra indígena;

No dia 19 de abril de 2010 uma grande passeata dos indígenas seguiu até o prédio da FUNAI e lá realizou um grande ato contra o Decreto.

No dia 24/04/2010 a Polícia Militar do Distrito Federal, atendendo solicitação do gabinete do Excelentíssimo Senhor Ministro de Estado da Justiça através do requerimento de n 1102/CP-1 tentou retirar os manifestantes da Esplanada dos Ministérios com forte aparato militar.

No dia 28 de abril de 2010, na Sala da Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público da Câmara dos Deputados, foi realizada a Audiência Pública para tratar da legalidade e revogação do Decreto e foram colhidas depoimentos e provas sobre violações de direitos dos indígenas praticados pela própria diretoria e presidência da FUNAI, inclusive contra servidores indígenas, através de perseguições e assédios morais; ausência de consulta à comunidade indígena; adoção de meios ilegais, arbitrários e abusivos para implantar a nova estrutura decorrente do Decreto.

O Ministério da Justiça (União Federal) com a FUNAI e o GDF ajuizaram duas medidas judiciais para retirar os manifestantes da Esplanada dos Ministérios a de n 25581-85.2010.4.01.3400, cujo processo tramitou perante a e. 6ª Vara Federal de Brasília DF, cuja sentença foi favorável ao AIR, ou seja, o pedido da União Federal e a FUNAI contra o AIR objetivando acabar com a manifestação foi julgado improcedente e a outra em tramite na 22ª Vara Federal da mesma Seção Judiciária do DF, proc. N 22892-68.2010.4.01.3400 (União e GDF), ainda em tramitação, não teve sentença;

No dia 12 de maio de 2010 foi realizada à Audiência Pública na e. Comissão de Direitos Humanos do Senado Federal onde foram colhidos importantes depoimentos e documentos sobre a ilegalidade do referido Decreto. Nesta audiência foi eleita a Comissão Indígena para acompanhar as negociações com o governo, composta por lideranças indígenas nativas reconhecidas internacionalmente e nacionalmente desde as mobilizações realizadas pelas garantias dos princípios e direitos indígenas expostos na Carta Constitucional desta República e atuação na confecção dos direitos e princípios internacionais da ONU – Organização das Nações Unidas expostos na Resolução 169 da OIT, atualmente integrados ao nosso sistema constitucional através do Decreto Legislativo de n 143/2003.

No dia 19 de maio de 2010 o Plenário da Câmara dos Deputados, apoiado pelo movimento indígena nacional, rejeitou a Emenda de n 36 da Medida Provisória 472/2009 que legalizava o denominado CNPI – Conselho Nacional de Política Indigenista, por ofender aos princípios da etnocidade, diferenciação cultural, bilingüismo e da tradicionalidade indígena em função do desrespeito aos caciques, pajés e às lideranças de base;

No dia 28 de maio de 2010, no auditório da FUNAI, com a presença de cerca de 400 lideranças indígenas de base, vindas de todas as regiões e Estados, foi aprovada a pauta de reivindicação do movimento indígena nacional, com 11 pontos e foi criado o CNDI – CONSELHO NACIONAL DE DEFESA DOS DIREITOS INDÍGENAS adequado aos princípios da etnocidade, diferenciação cultural, bilingüismo e da tradicionalidade indígena objetivando o respeito aos caciques, pajés e às lideranças de base, sendo eleito o indígena advogado DR. ARÃO DA PROVIDÊNCIA ARAÚJO FILHO, da etnia Teneteharo, waizayzar (Guajajara) e membro da CDHAJ/OABRJ para presidir o colegiado;

No dia 1º de Junho de 2010, a pedido do Ministério da Justiça e da FUNAI foi realizada uma grande operação militar para acabar com a manifestação do AIR. Referida operação contou com a presença da PM do DF; Polícia Federal; Polícia Rodoviária Federal; Força Nacional, atiradores de elite posicionados no teto dos prédios dos Ministérios das Comunicações, Justiça e Saúde e um forte aparato com cães, cavalos, caminhões, ônibus, tratores e moto-serras para cortar as arvores que serviam de sombra para os manifestantes. Referida operação foi repelida por decisão da e. 6ª Vara Federal da Seção Judiciária do DF;

No dia 10 de julho de 2010 uma operação com um forte aparato militar, nos moldes das anteriores, às 5:00hs da manhã, de forma violenta, agredindo crianças, idosos, gestantes indígenas e prendendo militantes e apoiadores, sem ordem judicial, mandado ou flagrantes destruiu as barracas que abrigavam os manifestantes e apreendeu os pertences sem nenhum auto de apreensão ou registro do material, dos bens e dos seus proprietários (remédios, documentos, cobertores, alimentos, panelas, câmaras de filmagens, máquinas digitais com os registros da violência policial, computadores portáteis, dinheiro, alimentos entre inúmeros outros pertences) e que até hoje não foram devolvidos e nem seus proprietários foram indenizados. Com a apreensão do material os manifestantes ficaram sem nenhuma proteção e condição para continuar a manifestação.

No dia 14 de agosto de 2010, com idêntico aparato militar e se aproveitando do afastamento temporário da maioria dos manifestantes, as forças militares cercaram o local da manifestação com grades de ferro e os poucos manifestantes foram para a frente do prédio do Itamaraty e os militares (União, DF e FUNAI) cortaram todas as arvores que serviam de abrigo aos manifestantes.
Em dezembro de 2010, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA condenou o Governo Brasileiro a suspender a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte por prejudicar direitos de comunidades indígenas sem realização de consultas a essas populações de forma “prévia, livre, informada, de boa-fé e culturalmente adequada” a cada uma das comunidades indígenas afetadas antes.
Nos dias 2, 3, 4 e 5 de maio de 2011 cerca de 700 lideranças e organizações indígenas do Brasil reuniram-se em Brasília através do denominado Acampamento Terra Livre e, também aprovaram a mesma pauta do Movimento Indígena Revolucionário.

Em 17 de junho de 2011 as representações indígenas que ainda faziam parte da denominada Comissão Nacional de Políticas Indigenistas romperam com a FUNAI.

Excelentíssimo Senhor relator, após todos os esforços realizados e, apesar da intervenção pessoal de vários parlamentares da e. Comissão de Direitos Humanos do Senado; da Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público da r. Câmara dos Deputados; da existência de 2 PDLs (Projetos de Decretos Legislativos) para revogação do Decreto Presidencial, nesta Câmara dos Deputados e já ter passado mais de um ano, além de não ter tomada nenhuma providência para rever o teor do Decreto; não ter instaurado nenhum procedimento disciplinar, ético e nem criminal para apurar as violações dos direitos e preceitos protecionistas do segmento social indígena praticadas pelos gestores públicos da FUNAI, a situação da assistência continua, a cada dia pior;

Senhor relator, nas duas audiências públicas ficou comprovado que referido Decreto que “reestruturou” o órgão de assistência indígena não foi precedido de consulta aos indígenas, tanto assim que foi publicado em pleno recesso parlamentar; que as entidades sindicais não participaram desta reestruturação; que teve o objetivo de permitir, como permitiu, a mineração em terras, agora através das ONGs por meio de simples convênios, apesar da proibição deste tipo de atividade, conforme Decreto Legislativo nº. 143, de 20 de junho de 2002 que ratificou a Convenção 169 da OIT; que os indígenas tiveram um decréscimo de assistência com o fechamento de cerca de 300 Postos e Administrações Regionais; que cerca de 1500 servidores indígenas não foram consultados e nem tiveram a oportunidade de opção para suas relotações; que os servidores que se colocaram contrário ao referido Decreto experimentaram assédio moral, perseguição e processos administrativos disciplinares; que o dano nos territórios indígenas foi inestimável; que os indígenas que manifestaram seus descontentamentos através do AIR (Acampamento Indígena Revolucionário) na Esplanada dos Ministérios experimentaram diversos tipos de violências e que tiveram seus pertences apreendidos violentamente sem a devida restituição e sem registro através de auto de apreensão; que o concurso público da FUNAI objeto do Edital de n 01/2010 não respeitou aos princípios da diferenciação cultural, bilingüismo e nem aos saberes e conhecimentos regionais e locais dos indígenas, sendo que nenhum indígena foi aprovado e nem classificado; que após a desestruturação do órgão as TIs (Terras Indígenas) foram ocupadas por madereiros, garimpeiros, traficantes, deixando a população ainda mais vulnerável.


JUSTIFICATIVA E FUNDAMENTAÇÃO

Os direitos indígenas são protegidos pelos princípios constitucionais a seguir dispostos:
Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos:
I - ........;
III - a dignidade da pessoa humana;
Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil:
I - construir uma sociedade livre, justa e solidária;
Art. 4º A República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações internacionais pelos seguintes princípios:
I - ...........;
II - prevalência dos direitos humanos;
Art. 215. O Estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais e acesso às fontes da cultura nacional, e apoiará e incentivará a valorização e a difusão das manifestações culturais.
§ 1º O Estado protegerá as manifestações das culturas populares, indígenas e afro-brasileiras, e das de outros grupos participantes do processo civilizatório nacional.
Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá- lo para as presentes e futuras gerações.
Art. 231. São reconhecidos aos índios sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradições, e os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam, competindo à União demarcá-las, proteger e fazer respeitar todos os seus bens.
§ 1º .........
§ 2º As terras tradicionalmente ocupadas pelos índios destinam-se a sua posse permanente, cabendo-lhes o usufruto exclusivo das riquezas do solo, dos rios e dos lagos nelas existentes.
§ 3º ..........
§ 4º As terras de que trata este artigo são inalienáveis e indisponíveis, e os direitos sobre elas, imprescritíveis.

Como se verifica pela norma constitucional pátria, senhor relator, os direitos indígenas são protegidos pelos preceitos e princípios constitucionais da dignidade da pessoa humana; de uma sociedade livre, justa e solidária; da prevalência dos direitos humanos; da garantia de acesso às fontes da cultura nacional; do apoio, incentivo, valorização e da difusão das manifestações culturais; da proteção das manifestações culturais indígenas; do direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado; dos costumes; das línguas; das crenças; das tradições; da originalidade; da inalienabilidade; da indisponibilidade e o da imprescritibilidade.

Esses preceitos e princípios constitucionais ganharam relevo e foram elevados à proteção da Norma Internacional através da Resolução de nº 169 da OIT – Organização Internacional do Trabalho e que o Brasil comprometeu-se a protegê-los através do Decreto Legislativo 143/02, incorporando-os ao patrimônio jurídico, cultural, ambiental, social e religioso do segmento social indígena, da comunidade nacional e de toda a humanidade.

O que se pede a Vossa Excelência é que proteja os princípios e preceitos constitucionais apontados e que determine que o executivo direcione a gestão da FUNAI aos mais modernos posicionamentos humanos, ambientais, culturais, religiosos e sociais através do presente PDL.

Diante de todo o exposto rogam a Vossa Excelência o seguinte:

1 – A aprovação do Decreto Legislativo para revogar o Decreto presidencial de n 7056/09;
2 – Que seja oficiada à CGU – Controladoria Geral da União e à sua Comissão de Ética Pública para adoção dos procedimentos administrativos éticos e disciplinares para apurar os atos dos dirigentes da FUNAI e do Ministério da Justiça objeto das ocorrências aqui apontados;

3 – Que seja oficiada a e. 6ª Câmara de Revisão de Defesa das Minorias do MPF para instaurar procedimento Civil Público e criminal visando apurar as ocorrências objeto do presente procedimento legislativo, inclusive dos efeitos dos atos praticados pela denominada reestruturação, em especial para apurar as lesões apontadas e mover as medidas judiciais que entender cabíveis para impor ao Estado Nacional a reparação dos danos experimentados pelos indígenas nas suas TIs.;

4 – Que seja oficiado ao TCU – Tribunal de Contas da União para apurar as contas públicas da FUNAI;


Brasília, 30 de junho de 2011.


MOVIMENTO SOCIAL ACAMPAMENTO INDÍGENA REVOLUCIONÁRIO

ASSOCIAÇÃO PAKARARU FONTE DA SERRA e


CESAC – CENTRO DE ETNOCONHECIMENTO SÓCIOAMBIENTAL E CULTURAL CAUIERÉ
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Palavras de Carlos Pankararu - Líder do Movimento Indígena Revolucionário


Carlos Pankararu, em foto tirada em maio desse ano no Acampamento Terra Livre (ATL)

Palavras de Carlos PanKararu - Líder do Movimento Indígena Revolucionário.

Caros irmãos indígenas de todo Brasil,

Desde o início deste decreto, todos nós que temos conhecimento da política indígena, sabiamos que este decreto nada mais é que uma porta aberta para o PAC dentro dos territórios indígenas, por isso que tem poder de fechar os postos indígenas nas aldeias e as administrações indígenas nos estados. Desta forma distânciando o governo das populações indígenas, terceirizando de uma certa forma a obrigação do gorverno federal com os índios e entregando o poder para as organizações não governamentais, dando-se o nome CNPI.
Não sou contra as organizações indígenas trabalharem e defenderem nossa população, mas, porém, a CNPI não é composta apenas por organizações indígenas. Será que o ISA, o CTI, CIMI, o IBAMA, o MPU, o Ministério da Justiça e outros ministérios, são organizações indígenas para decidir a vida dos índios? É mais que claro que essas organizões de branco não vão deixar de ser pelo governo para ser pelos índios, jamais irão deixar de construir os planos do governo que são várias hidrelétricas no pulmão do mundo(que é a região Amazônica), rodovias e minerações nas terras indígenas e até bases militares nas terras indígenas para que com as forças armadas dentro das aldeias o PAC seja desenvolvido na marra, assim como o decreto 7056 que tirou a estabilidade da FUNAI e como a Hidrelétrica Belo Monte, e muitos outros planos secretos do governo sem consultar os povos indígenas, o que representa um desrespeito aos nosso povos. Mas quero deixar claro para a sociedade, que em breve haverá revogação do Decreto 7.056/09. Após a revogação iremos discutir novamente a reestruturação da FUNAI, que será a favor dos índios e não a favor do governo. Eu acredito que a APOINME, ARPINSUL, COIAB, e todas as organizações indígenas, jamais querem mal para seus irmãos índios. Por isso, peço que reconheçam que o AIR tem razão em suas lutas, pois não tivemos apoio nenhum do governo, mas acampamos durante 9 meses em frente do congresso Nacional. Até hoje estamos acampados em Brasília, brigando pela saída do carrasco Marciomeira (atual presidente da FUNAI) e para a revogação deste decreto que desrespeitou todos os índios do Brasil. Lembrem-se do ATL: quem trouxeram as 700 lideranças foram vocês e todos que vocês trouxeram, pediram o mesmo que nós vinhamos pedindo há mais de um ano. Apenas quem não pediu a reestruração da FUNAI e a revogação do decreto foram algumas lideranças das próprias organizações. Quero parabenizar o diretor da ARPINSUL, Kretã Kaingang, e Rildo pois tiveram a coragem de gritar em plenária que seus objetivos são os mesmos de nós povos indígenas do Brasil que é a exoneração do atual traíra presidente da FUNAI e a revogação do decreto. Somos todos uma só irmandade independente de lideranças e organizações. Eu e meus irmãos do AIR afirmamos que está luta não vai parar enquanto não houver revogação do decreto e exoneração do carrasco do governo que ocupa a FUNAI. Se querem ajudar os índios do Brasil juntem-se a nós, para que a força torne-se mais forte e o tempo da vitória torne-se mais próximo.
Sem mais.
De: Carlos Pankararu
Para: Todos os índios do Brasil
Parabéns a todos os irmãos da CNPI por terem acordado enquanto é tempo de solucionarmos o problema.
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Lideranças Indígenas da CNPI rompem com a FUNAI


O líder do AIR, Korubo, nosso eterno candidato à presidência da FUNAI, já acusava as ONG's indígenas e indigenistas de terem feito acordo com o governo e compactuado para a desestruturação da FUNAI com o Decreto 7.056/09, em junho do ano passado (foto por Bruno Costa)


Até que enfim os indígenas da Comissão Nacional de Política Indigenista (CNPI) acordaram para o que os parentes do Acampamento Indígena Revolucionário estão dizendo (e protestando) há mais de um ano. No último dia 16 de junho, as "lideranças indígenas" resolveram protestar contra a farsa que é a CNPI e contra o descaso e a negligência que vêm sendo tratados tanto pela FUNAI como pelo governo Dilma.
As "lideranças indígenas", em seu Manifesto, protestam contra o Decreto 7.056/09, que finge reestrurar a FUNAI, mas, apenas, a desestrutura, fechando os Postos Indígenas e as Administrações Regionais e deixando as comunidades indígenas vulneráveis à qualquer tipo de ação criminosa por parte de fazendeiros, latifundiários, Eike Batistas de plantão, etc. Nós, do Acampamento Indígena Revolucionário, chamamos esses irmãos que querem protestar contra o Decreto, para fazerem o que fizemos no ano passado. Vamos parar de aposentar as bordunas, tirar a poeira dos arcos e das flechas e irmos à luta contra o Decreto 7.056/09!
As "lideranças indígenas" da CNPI protestam contra a usina hidrelétrica Belo Monte, porém, sabemos que para Lula e Dilma, Belo Monte sairá "na lei ou na marra"! E como devemos agir com uma declaração autoritária dessas? Isso é uma declaração de guerra? Em que espécie de ditadura estamos? Vamos continuar aceitando esse tipo de política? Essa forma autoritária e arrogante de passar por cima de todos os valores humanos e ambientais? Por favor, leiam o Manifesto e tirem as suas conclusões.
Segue abaixo o Manifesto das "lideranças indígenas":

MANIFESTO DA BANCADA INDÍGENA DA COMISSÃO NACIONAL DE POLÍTICA INDIGENISTA – CNPI


SUSPENDEMOS A NOSSA PARTICIPAÇÃO ATÉ O GOVERNO DILMA ATENDER AS NOSSAS DEMANDAS


Nós, representantes indígenas na Comissão Nacional de Política Indigenista – CNPI, em protesto contra a omissão, o descaso e a morosidade do Governo da Presidente Dilma Roussef em garantir a proteção dos direitos dos nossos povos, suspendemos nesta data de início da 17ª. Reunião Ordinária a nossa participação na Comissão em razão dos seguintes acontecimentos:

1º. – Resoluções das quais participamos raramente foram encaminhadas, tornando-se sem efeito e resultado concreto.

2º. Outras decisões de governo, como a reestruturação da Funai, foram encaminhadas sem o nosso consentimento, no entanto fomos acusados de ter sido co-responsáveis na sua aprovação e encaminhamento.

3º. Contrariando a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho – OIT, que em seu artigo 6º estabelece que os governos deverão “consultar os povos interessados, mediante procedimentos apropriados e particularmente, por meio de suas instituições representativas, sempre que se tenha em vista medidas legislativas ou administrativas capazes de afetá-los diretamente”, e contrariando o próprio Decreto de criação da CNPI, o governo tem adotado medidas de flagrante violação aos nossos direitos.

O governo está determinado a construir empreendimentos que impactam ou impactarão direta ou indiretamente as nossas terras, o meio ambiente, a vida e cultura dos nossos povos, como a hidrelétrica de Belo Monte.

Nos últimos dias fomos surpreendidos por mais um ato antiindígena do Poder Executivo que publicou sem ter ouvido os nossos povos e organizações a Portaria Conjunta n° 951 de 19 de maio de 2011 que cria um grupo de estudo interministerial para elaborar ato que discipline a participação dos entes federados nos procedimentos de identificação e delimitação das terras indígenas.

Questionamos a finalidade proposta pela referida portaria cuja justificativa é atribuída à aplicação da “Condicionante nº 17 da decisão do Supremo Tribunal Federal na PET 3388”, referente à Terra Indígena Raposa Serra do Sol. Não podemos entender a pressa do Governo brasileiro em se antecipar à conclusão do julgamento, sendo que o Supremo Tribunal Federal não concluiu este processo, a não ser para atender aos interesses de alguns governos estaduais, grupos econômicos e oligarquias políticas regionais declaradamente contrárias aos direitos dos povos indígenas.

Como representantes dos nossos povos na Comissão Nacional de Política Indigenista queremos tornar pública a nossa posição contrária a esta Portaria, razão pela qual exigimos a sua imediata revogação

4º. Enquanto espaço privilegiado de diálogo e interlocução com o governo para definir as políticas de interesse dos nossos povos a CNPI teve feitos importantes como as consultas regionais sobre as propostas para o novo Estatuto dos Povos Indígenas, a elaboração do Projeto de Lei do Conselho Nacional de Política Indigenista e a construção da Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental das Terras Indígenas (PNGATI). Porém, essas ações se tornaram até o momento sem efeito, uma vez que o governo não cumpre o compromisso de viabilizar a tramitação, aprovação e implementação desses instrumentos.

5º. A implementação da Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI) e a autonomia política, financeira e administrativa dos Distritos Sanitários Especiais Indíegnas (DSEIs) não está acontecendo.

6º. A reestruturação da FUNAI não sai do papel e os problemas nas comunidades continuam se agravando. As coordenações regionais e coordenações técnicas locais não estão funcionando, e o órgão indigenista paralizou as suas ações, notadamente a demarcação das terras indígenas, os processos de desintrusão e se comporta conivente do processo de criminalização de lideranças e comunidades indígenas.

7º. A educação escolar indígena diferenciada, direito conquistado na Constituição Federal e em Legislação específica, está sendo desrespeitada. O Ministério de Educação até o momento não implementou as decisões tomadas na Conferência Nacional de Educação Indígena e nem estruturou o setor correspondente para o cumprimento destas ações.

8º. A nossa participação na CNPI tornou-se sem sentido. Só voltaremos a esta Comissão quando a Presidente Dilma Roussef e seus ministros envolvidos com a questão indígena compareçam a esta instância dispostos a estabelecer um agenda de trabalho e metas concretas, explicitando qual é a política indigenista que irá adotar para o atendimento das demandas e reivindicações que reiteradamente temos apresentado ao governo neste âmbito ou por intermédio dos nossos povos e organizações representativas como aconteceu no último Acampamento Terra Livre realizado em Brasília no período de 02 a 05 de maio de 2011.

9º. Reiteramos o nosso repúdio à forma autoritária e a morosidade com que o governo Dilma está tratando os nossos direitos e reivindicamos respeito a nossa condição de cidadãos brasileiros e representantes de povos étnica e culturalmente diferenciados, com direitos assegurados pela Constituição Federal e por tratados internacionais dos quais o Brasil é signatário. Como o fizemos até agora, manifestamos a nossa disposição de continuar lutando e contribuindo na construção das políticas voltadas nós, desde que estas atendam os reais interesses e aspirações dos nossos povos e comunidades.

Brasília – DF, 17 de junho de 2011.

Assina: Bancada indígena da CNPI
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Movimento Indígena Revolucionário - MIR, obtém mais uma vitória


MIR em ação no Acampamento Terra Livre - 2011............



Movimento Indígena Revolucionário – MIR, obtém mais uma vitória

Publicado originalmente em http://uniaocampocidadeefloresta.wordpress.com/

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A luta do Movimento Indígena Revolucionário, que permaneceu por nove meses acampado com outros setores do movimento indígena na Esplanada dos Ministérios, no AIR- Acampamento Indígena Revolucionário, teve mais um resultado favorável a sua pauta de reivindicações, anunciada na pagina oficial da camara dos deputados a aprovação do projeto, anulando o decreto 7.056/2009.


Ao assinar tal decreto, o então presidente da republica Lula, atirou pela culatra, pois nao realiazado consulta a população indígena, como rege a lei. Em palestra datada do dia 12 de novembro de 2010, em São Paulo, o atual presidente da FUNAI assumiu que ele quem orientou o presidente a promulgar o decreto, que a FUNAi chama de reestruturação, os indigenas a conhecem como desmantelo do órgão.


O Movimento Indígena Revolucionário vem promovento diversos debates em todo país sobre a pauta de reivindicações “Os 15 Pontos do AIR” e vem recebendo adesão de lideranças indígenas de todas regiões do Brasil. No mes passado, esteve discutindo as politicas e direitos indígenas no Rio de Janeiro, onde junto com os movimentos populares e organizações políticas daquele estado, formaram UNIÃO DE RESISTENCIA DOS POVOS EM LUTA, organização que unifica a luta indígena as lutas dos/das trabalhadores/trabalhadoras do campo e da cidade, o evento que durou 3 dias consecutivos recebeu o nome de “III CONFEDERAÇÃO DOS TAMOIOS E DOS SEM TETO”.


A equipe do Blog União Campo Cidade e Floresta parabeniza os/as militantes do MIR – Movimento Indígena Revolucionário e aos povos indígenas que não se calaram, a vitória e de todos e todas.


mais informações no blog do AIR – http://www.acampamentorevolucionarioindigena.blogspot.com


Acompanhe pelo link http://www.camara.gov.br/internet/sileg/Prop_Detalhe.asp?id=465664






Segue o Texto do site da Camara dos Deputados na integra.


fonte: http://www2.camara.gov.br/agencia/noticias/ADMINISTRACAO-PUBLICA/196962-COMISSAO-APROVA-PROJETO-QUE-SUSTA-REESTRUTURACAO-DA-FUNAI.html



Comissão aprova projeto que susta reestruturação da Funai




Luiz Alves

Dep. Walney Rocha

Walney Rocha: governo deveria ter ouvido as lideranças indígenas.

A Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público aprovou na quarta-feira (11) o Projeto de Decreto Legislativo 2393/10, do deputado licenciado Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR), que susta os efeitos do Decreto 7.056/09, que criou o Estatuto e o Quadro Demonstrativo dos Cargos em Comissão e das Funções Gratificadas da Fundação Nacional do Índio (Funai).


O decreto, publicado em 28 de dezembro de 2009, provocou uma profunda alteração na estrutura organizacional da Funai, sobretudo com a extinção de administrações regionais em diversos estados, como o Paraná. Segundo Hauly, em detrimento do princípio da isonomia, unidades da Federação com menor número de índios foram contempladas com uma maior estrutura administrativa.


O relator, deputado Walney Rocha (PTB-RJ), recomendou a aprovação da proposta. Rocha afirmou que, por força de compromisso internacional assumido pelo Brasil, o sistema administrativo destinado a proteger povos indígenas não pode ser alterado sem haver consulta às respectivas lideranças.


A Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), adotada pelo Brasil, exige consulta prévia aos povos indígenas acerca de alterações na estrutura administrativa dos órgãos responsáveis pelas políticas e programas que lhes são concernentes.


Rocha ressaltou também que, embora a nova estrutura da Funai preveja uma “gestão participativa”, não foi adotado o cuidado de se garantir essa participação no prazo determinado pelo ordenamento jurídico.


Tramitação
O projeto ainda será analisado pelas comissões de Direitos Humanos e Minorias; e de Constituição e Justiça e de Cidadania, antes de seguir para o Plenário.


A Comissão de Trabalho também aprovou dois projetos semelhantes, que tramitam apensados ao de Hauly: PLs 2395/10, do deputado Mauro Nazif (PSB-RO); e 2603/10, do deputado licenciado Maurício Rands (PT-PE).

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Governo Brasileiro manipula as ONG's no Acampamento Terra Livre


AIR protesta na frente da Casa Civil contra o "traíra" Márcio Meira..........

Governo Brasileiro manipula as ONG’s no Acampamento Terra Livre................

Montado no seu circo por 4 dias (2 à 5 de maio), o Acampamento Terra Livre não conseguiu atingir os seus objetivos e o Presidente da FUNAI, Márcio Meira, segue praticando a sua política anti-indígena sem maiores problemas. Neste circo montado para enganar os indígenas, até o Documento Final do Acampamento Terra Livre já havia sido redigido dias antes, na chácara do Conselho Indigenista Missionário (CIMI) em Luziânia (GO), surpreendendo todos os indígenas de base com a palhaçada que se tornou o Acampamento. Possivelmente, o CIMI manipulou a cabeça dessas lideranças para não tirarem o presidente da FUNAI, Márcio Meira. O Vaticano há 511 anos influencia os indígenas para um movimento que mais parece uma paralisia total, não consegue nem sequer retirar um presidente que cometeu crimes administrativos e crimes de lesa-humanidade (assinar a Belo Monte e assassinar o Rio Xingu, por exemplo).
Os indígenas de base que estavam no ATL serviram apenas para fingir que há uma real movimentação, mas, no final, tudo já estava acertado com o governo: no último dia do ATL, 05 de maio, entraram apenas as lideranças indígenas cooptadas e de ONG’s na Casa Civil para “dialogar” com autoridades como o presidente da FUNAI, Márcio Meira; o secretário geral da Presidência da República, Gilberto de Carvalho; os ministros das Minas e Energia, Saúde e Meio Ambiente; além de um representante do Ministério da Justiça; e o secretário Antonio Alves, responsável pela Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI).
O circo montado pelo Acampamento Terra Livre, felizmente, não enganou a todos. Narubiá Karajá, no último dia do ATL, questionou: “Porque alguns parentes são tratados com benevolência e outros não? Eu tenho que ser tratada com respeito. Esse ATL está desorganizado. Poucas pessoas foram articular no Congresso Nacional. Isso não é democracia. Isso aqui é um circo!” - protestou.


Narubiá Karajá protesta contra o "circo" Acampamento Terra Livre

Para “dialogar” com as autoridades foi designada uma “Comissão de lideranças”. Porém, essa Comissão de lideranças não representava todos os indígenas do ATL e apenas os indígenas das ONG’s puderam entrar na Casa Civil. Por que na “Comissão de lideranças” não havia um índio sequer do Acampamento Indígena Revolucionário? Por que o ancião Celestino Xavante foi barrado na porta da Casa Civil? Por que os índios independentes de ONG’s foram barrados também? Que articulação e manipulação foram essas?


O ancião Celestino Xavante é barrado na porta da Casa Civil e espera no chão para entrar

Ao final da reunião entre autoridades do Governo Brasileiro e da “Comissão de lideranças”, o secretário geral da Presidência da República, Gilberto de Carvalho, entregou o jogo e disse que Márcio Meira não sai da FUNAI por ser de inteira confiança da Dilma Roussef . E que de nada adiantou o Acampamento Terra Livre, já que a Hidrelétrica Belo Monte segue sendo o carro-chefe da Presidenta Dilma (ela se recusou a atender a “Comissão de Lideranças”, mas fez questão de receber em sua casa o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão , no intuito de apressar a construção da Usina).

A Falácia do Documento Final do Acampamento Terra Livre

No Documento Final do Acampamento Terra Livre, a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) reivindica que o Decreto 7.056/09 seja revogado e que o atual Presidente da FUNAI seja substituído: “Com a reestruturação da FUNAI, a violação dos direitos se agravou. Os processos ficaram paralisados e as terras desprotegidas, sem a presença dos chefes de posto. (...) e que seja substituído o atual presidente como tem reivindicado as regiões afetadas por este processo.” No mesmo documento, a APIB defende a aprovação do Conselho Nacional de Política Indigenista em substituição da atual Comissão Nacional de Política Indigenista.
Nós, do Acampamento Indígena Revolucionário (AIR), lutamos por nove meses (de janeiro a setembro de 2010), acampados na frente do Ministério da (in) Justiça para a revogação do Decreto 7.056/09. Nenhuma ONG quis juntar-se a nós ou ajudar de alguma maneira na luta pela revogação desse Decreto. Sem a união de todos os Movimentos Indígenas do Brasil, dificilmente o Decreto 7.056/09 será revogado. Portanto, ao ignorar o que acontecia na Esplanada dos Ministérios no ano passado, as ONG’s deram carta branca ao atual Presidente da FUNAI de fazer o que quiser (como manter o maldito Decreto).
A aprovação do Conselho Nacional de Política Indigenista (CNPI) faz com que o atual presidente deste Conselho, o Presidente da FUNAI, Márcio Meira, tenha mais respaldo para seguir a sua política anti-indigenista. Por isso, o AIR luta pela aprovação do Conselho Nacional de Direitos Indígenas (CNDI), contrário ao CNPI, que apenas serve para fortalecer a política genocida do Governo Brasileiro.
Nós, do Acampamento Indígena Revolucionário, lutamos para a criação do Conselho Nacional de Direitos Indígenas (CNDI) por ter sido criado, formulado e com a exclusiva participação de índios, sem a interferência de não-indígenas. O CNDI, 100% índio, é de extrema importância para o Movimento Indígena Brasileiro, nesta luta de 511 anos, onde sabemos o papel que geralmente é designado para os indígenas.
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Acampamento Indígena Revolucionário na Caminhada do Acampamento Terra Livre



Indígenas do AIR participam da Caminhada do Acampamento Terra Livre realizada no dia 04 de maio, na frente do Ministério de Minas e Energia, em Brasília.



Escute as lideranças indígenas protestando contra o Governo Brasileiro, como o Cacique Sererê Xavante que luta pela saída do Presidente da FUNAI. A líder do AIR, Edinária Guajajara, protesta contra a construção da Belo Monte e a política genocida da FUNAI.


"Fora Márcio Meira, TRAÍRA"
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De Constituição à Borduna


Lideranças de todo o Brasil se encontram acampados na Esplanada dos Ministérios para discutir os problemas de suas comunidades. O "Acampamento Terra Livre 2011" iniciou-se nesta segunda-feira e deve seguir até quinta-feira e um dos principais pontos apresentados pelas lideranças é o descaso da FUNAI (governo) com suas bases.



Isabel Xerente lembra aos parentes que a Constituição dos índios é a borduna

“O branco acabou com a nossa FUNAI, perdemos a nossa segurança, e hoje somos massacrados e queremos a FUNAI de volta” lamentou a anciã Izabel Xerente. Preocupada em levar soluções à suas bases, a anciã convidou os presentes para uma união “parentes vamos unir forças e tirar esse atual presidente da FUNAI. Quero voltar pra minha aldeia com algum resultado, e se precisar a nossa constituição é a borduna”.


Gercilha Krahô denuncia o governo brasileiro

Os empreendimentos que afetam as terras indígenas é um tema bastante discutido e preocupante entre os indígenas. “Hoje o governo virou um trator que quer passar em cima de nós, a barragem do estreito já nos preocupa e está se tornando um problema ambiental” colocou Gercilha Krahô que atualmente enfrenta sérios problemas com a construção da Barragem de Estreito e também luta contra a construção da barragem de Serra Quebrada.

O cacique Celestino Xavante que está acampado embaixo da FUNAI há quase um mês enfatizou a sua preocupação diante das articulações da presidência do órgão contra os povos indígenas e pediu a todos que “unam forças e tirem esse presidente, ele nos desrespeitou e mentiu em relação à construção de Belo Monte”. O cacique também se lembrou das 35 crianças Xavante da Terra Indígena Parabubure que estão morrendo de fome, ou melhor, inanição. Por fim, o cacique destacou a necessidade de um indígena na presidência da FUNAI.

O indígena Carlos Pankararu lembrou aos participantes que “essa resistência da FUNAI já tem um ano e cinco meses desde a homologação do decreto 7056, que visava uma reestruturação do órgão e posso perceber que é um problema em comum de todos nós indígenas”. E para finalizar o Pankararu lembrou a todos que “a FUNAI manipula os indígenas através da Comissão Nacional de Políticas indigenistas (CNPI) que hoje, infelizmente ela é presidida pelo governo”.
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19 de Abril de 2011 - Povos Indígenas há 485 dias sem qualquer tipo de proteção estatal e jurídica

19 de Abril de 2011 - Povos Indígenas há 485 dias sem proteção estatal e jurídica, à mercê de Mega-Empreendimentos, Decretos e Projetos de Lei Realizados Sem Qualquer tipo de Consulta Prévia, expostos à Criminalização dos Costumes e dos Protestos, ao Terrorismo Midiático e de Estado a Serviço do Partido da Aceleração do Capitalismo e à Mais Tosca, Cruel e Criminosa Hipocrisia Institucional.



Povos Indígenas do Acre defronte ao Palácio Rio Branco - cinco meses de protestos sob total omissão da imprensa corporativa e "de esquerda" e sob a conveniente cegueira das autoridades competentes.

O dia 19 de abril de 2011, 485 dias após a publicação do Decreto Criminoso 7056/09 que abole a Hipocrisia Estatal e coloca o Estado Brasileiro como parceiro da iniciativa privada na Pilhagem e na Espoliação Violenta dos Direitos e do Patrimônio Indígena, iniciou bem com a APIB, Articulação dos Povos Indígenas do Brasil, tal como os Temiminó e flecheiros Tupiniquim no ano de 1565, horas antes de neutralizar a resistência indígena à Invasão Européia na região do atual Rio de Janeiro, com o chamado Massacre de Uruçumirim, protestando em carta pública por Governo Lula e Congresso não terem ainda consolidado a extinção total dos Direitos Indígenas e Patrimônio Originário e mandado ladrilhar Amazônia e Cerrado e engarrafar os seus Rios Sagrados para vender como matéria-prima bruta à Coca-Cola e à Ambev, exigindo da presidente Dilma e do novo parlamento a implementação do PINGATI (Política Nacional de Gestão Ambiental e Territorial de Terras Indígenas), um monstrengo interministerial que ao custo de dezenas de milhões de reais pulverizados e sem efetivamente proteger Terras Indígenas ou dar opções de real sustentabilidade para etnias indígenas atingidas (digo, atendidas), forja para público externo uma ilusão de participação indígena nas decisões que afetam comunidades por meio de “consultas regionais” com membros escolhidos do CNPI; o documento solicitava ainda às Presidências do Congresso Nacional pressa no encaminhamento do projeto de lei 2057/91, de autoria de Aloizio Mercadante (Partido da Aceleração do Capitalismo), abolindo o Estatuto do Índio e a proteção jurídico-estatal aos Povos Originários, deixando assim a iniciativa privada, com recursos do Estado Brasileiro (via BNDES) e a máquina da Polícia Federal e da Força Nacional de Segurança Pública para neutralizar possíveis resistências, livre para espoliar o Patrimônio dos Povos Indígenas do Brasil e, de acordo com as normas do Consenso de Washington e do indigenismo neo-liberal proposto por entidades como ISA e CTI e facilitadores como Márcio Santilli, Márcio Meira, Paulo Maldos, Eduardo Almeida e Guga Sampaio, produzir- à custa do Holocausto Ambiental e do Sangue dos Povos Originários - a energia mais barata para as companhias nacionais, norte-americanas e nipônicas de alumínio e de ferro-gusa, a soja mais resistente e saborosa para os rebanhos suínos da China, EUA e Europa e o papel higiênico mais macio para o mercado norte-americano e europeu (a Suzano e Votorantim – Bracelpa - cumprindo aqui o seu relevante pacto de não-agressão e de proteção às delicadas cútis das partes pudendas posteriores anglo-saxãs, teutônicas, nórdicas e latinas).

Não satisfeitas, as lideranças da APIB, organizadas no Fórum Nacional de Lideranças Indígenas (CNPI/Partido da Aceleração do Capitalismo), solicitam em interesse próprio “que o Governo redobre esforços na tramitação e aprovação do Projeto de Lei 3.571/2008, que cria o Conselho Nacional de Política Indigenista (CNPI)”, ou seja, pedem que se legalize a farsa pela qual o presidente da Fundação Nacional do Empreendedor (FUNAE), Márcio Meira, obtém a “anuência dos Povos Indígenas” para grandes projetos governamentais e efetua a supressão de Direitos, lesando as etnias e comunidades originárias brasileiras que – supostamente representadas por membros do Conselho Nacional de Pelegos Indígenas – ficam com o Direito à Voz e o Direito ao Veto suprimidos.

A instituição do CNPI, que querem consolidar nesse 19 de abril, é uma aberração que torna, para o Ministério da Justiça, Akiaboro Kayapó - indígena bastante conhecido em Brasília que participou, ao lado de Luiz Inácio Lula da Silva, da campanha para deputado do Exterminador do Futuro Carlos Minc - “líder de todos os grupos Kayapó do Brasil” e permite que lideranças históricas do Povo Kayapó, de trajetória e seriedade incontestáveis, como Raoni Metuktire – Referência Moral para Povos Indígenas em todo o planeta – e Megaron Txukarramãe tomem chá de cadeira por horas nos corredores sem resposta, voltando para as aldeias sem terem sido atendidos pelas autoridades com quem vieram tratar em Brasília.

Hoje, 19 de abril de 2011, dia de “comemoração” dos Povos Indígenas Brasileiros, a manhã iniciou com a constatação de que sequer uma faixa alusiva à data foi colocada na sede da Fundação Nacional do Índio, na Asa Sul, em Brasília, nos corredores do órgão apenas os boatos rondando de que – por conta do lamaçal revolvido pelas denúncias sobre como foi conduzida a “questão Belo Monte” pelo Estado Brasileiro, que antes mesmo de sua construção já removeu mais lama do que nas obras de construção do Canal do Panamá, obrigando inclusive a Organização de Estados Americanos (OEA), a notificar o governo do Brasil a contragosto – Márcio Meira sairia da presidência do órgão para dar lugar a mais um "quadro do PT”, o que até agora não se confirmou (corredores da Radiobrás informam que Meira fica até finalização da UHE Belo Monte) e pela triste notícia, veiculada pela Tv Gazeta graças ao desabafo de Frederico Campos (Coordenação Regional de Alagoas) em Audiência Pública ontem, dia 18, na Assembléia Legislativa do Estado, de que o GOVERNO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL CORTOU, SEM ANÚNCIO PRÉVIO OU JUSTIFICATIVA, 70 MILHÕES DE REAIS DA FUNDAÇÃO NACIONAL DO ÍNDIO, metade do orçamento já insuficiente para a imensa demanda, como contribuição efetiva da presidente Dilma Roussef para o Extermínio dos Povos Originários do Brasil e para a efeméride em si.

A data de 19 de abril de 2011 fica, portanto, para constatar que a gestões da presidente Dilma e do historiador Meira não consideram Povos Indígenas e servidores dignos da consideração de um aviso prévio sobre cortes de gastos ou do "privilégio" de uma explicação mínima para medida que paralisa a fiscalização e a proteção territorial nos mais diversos pontos do país – precisando os interessados a se esgueirar em busca de informação pelos corredores das autarquias em Brasília ou esperar o desabafo de servidores impotentes para saber sobre medidas que afetarão brutalmente as suas vidas.

A data de 19 de abril de 2011 é simbólica, pois a edição do dia da publicação “Valor Econômico” traz em suas manchetes “Com Atraso, Belo Monte Inicia Obras” [http://www.power.inf.br/site/todas-as-noticias-de-eletricidade/6450-com-atraso-belo-monte-inicia-obras], com anúncio feito pela Norte Energia de que está mobilizando os primeiros mil operários, o que significa uma trágica notícia não somente para as etnias do Xingu, mas para todos os Povos Originários da Terra e a todos que lutam em defesa da biodiversidade, da diversidade étnica e cultural e pela VIDA no planeta em si, representando um dano ainda incalculável não somente para os Povos Indígenas do Xingu, mas para todo o povo de Altamira e entorno (que se deparará, com a chegada de mais de 100 mil trabalhadores, com falta de estrutura, déficit de moradia, inflação despropositada, aumento descomunhal da violência urbana, da incidência de doenças infecto-contagiosas e do tráfico e consumo de drogas devastadoras como o crack – como ocorre hoje em Porto Velho, RO, vítima da megalomania governamental, saltando com a construção de Jirau de 400 mil habitantes para mais de um milhão em menos de 2 anos).

O silêncio do qual o Governo Federal (Funai) trata o assunto, sem sequer uma notinha no blog da autarquia, já denota que o Instituto Socioambiental, hoje co-gestor da Fundação Nacional do Índio com o CTI e demais organizações, vai embolsar a maior parte dos recursos das compensações socioambientais da Norte Energia.

Interessante notar que ao mesmo tempo 70 milhões são cortados da Funai pela União (sem que sequer as oitivas sobre Belo Monte tenham se realizado), foram gastos 287 milhões de reais pela concessionária Norte Energia em ações paralelas ao projeto – sem que nenhuma das condicionantes tenha sido cumprida e nenhuma das manifestações das lideranças indígenas tenha sido considerada.

De igual modo, a gritaria produzida pelas Ongs contra Belo Monte, essas mesmas organizações que serão beneficiadas pelas compensações sócio-ambientais, acabou calando a relevante discussão sobre a BR 230, extremamente danosa para Povos Indígenas e ecossistemas circundantes (levando turbinas, material e trabalhadores das áreas de servidão para o complexo de cimento e aço a ser erguido na Volta Grande do Xingu), travada sob o mais absoluto sigilo no CGPIMA-Funai (onde é que se viram os protestos contra a BR 230? quando é que se deu a consulta?).

O 19 de abril de 2011 será um dia lembrado como a data de consolidação da FUNAE (Fundação Nacional do Empreendedor) sobre a extinta FUNAI (Fundação Nacional do Índio), com centenas de empreendimentos do Programa de Aceleração do Capitalismo Brasil afora impactando Povos Indígenas e comunidades tradicionais, sem contar com a ação dos oligopólios agroindustriais e de mineração em larga escala, o que dá sentido à frase pronunciada por Dário Yanomami pronunciada no encontro de lideranças da etnia na Aldeia de Toototobi (AM) em novembro do ano passado: “A Funai é como um pai que não defende os seus filhos da Onça”.

O dia 19 de abril de 2011, data que não é lembrada pela imprensa – corporativa, burguesa ou alternativa - nem pela opinião pública nacional (exceto na inofensiva pintura das crianças do maternal à primeira série, manifestação inócua e infantil e, por isso mesmo, estimulada pelo Estado Brasileiro), não entrando na seção de cartas de jornais como O Globo e sequer na pauta do Centro de Mídia Independente, CMI, é marcado pelo protesto dos indígenas da Aldeia São João (Bonito, MTS) que há meses lutam para afastar os servidores da Funai - Lourival Matechua Souza e Antônio Bezerra, ambos da coordenação local - que deram anuência e assistiram tortura praticada por policiais do Departamento de Operações de Fronteira (DOF) contra três indivíduos da etnia Kadiwéu.

O dia 19 de abril de 2011 é também obscurecido pela notícia de Rilder Ribeiro Maués (matrícula 1586356), que participou da coação, intimidação e do desmonte criminoso da Coordenação Regional de Goiânia, unidade mais estruturada e preparada do país (tendo em sua jurisdição os últimos seis sobreviventes dos Avá-Canoeiro de Serra da Mesa, único Povo contemporâneo a ter habitado cavernas hoje imprensado entre duas hidrelétricas genocidas e milhares de posseiros tentando a intrusão, hoje sem Posto de Vigilância e sem servidor que os defenda, a assistência e a proteção de 19 mil Xavante, divididos em 187 aldeias e comunidades, entre outras responsabilidades), há dias atrás, quando estava sendo feita a transferência dos bens patrimoniais da antiga coordenação (supostamente por vindita à sua exposição na postagem Márcio Meira, Amigo das Corporações e etc .http://acampamentorevolucionarioindigena.blogspot.com/2011/03/meira-amigo-das-corporacoes-dos.html), inventou que um “celular da casa” havia sido roubado, celular esse que reapareceu magicamente momentos após, obrigando os seguranças da Guarda Terceirizada a humilhar servidores e trabalhadores com uma revista total (constrangimento ilegal registrado em BO).

O Diretor de Patrimônio e bordunólogo Rilder Ribeiro Maués (matrícula 1586356), amasiado com a chefe de gabinete Maria Salete Pompeu Miranda (matrícula 1432306 - conhecida por perseguir e discriminar indígenas a ponto de proibi-los de usar o mesmo elevador), capanga de Meira que em plena vigência do decreto 7056/09 esteve na 10 º DP de Brasília assessorando a Polícia Civil a criminalizar indígenas ligados ao AIR por meio de perjúrio e dando anuência à tortura de indígenas(afirmando à escrivã e ao delegado Laércio Rosseto que as bordunas ricamente trabalhadas - traço e expressão de diferenciação cultural dos Povos Indígenas Brasileiros - dos militantes indígenas eram “porretes” comuns, no intuito de invocar uma suposta proteção ao patrimônio e aos servidores do Ministério da Justiça – que durante nove meses de protesto não foram ameaçados fisicamente em momento algum - para “legalmente” deter os manifestantes do AIR na delegacia de polícia e, junto com o ouvidor de polícia da FUNAE, Paulo Pankararu, negar a condição de indígena ao ativista Waldinei Tupinambá e permitir que os agentes da Polícia Civil do Distrito Federal o torturassem no interior da mesma delegacia durante a manhã do dia 10 de julho de 2010), pelo que se ouve e se documenta nos corredores da sede da Fundação Nacional do Índio, assim que tomou posse do seu cargo igualmente desapareceu magicamente com um lote de 30 computadores e com um AVIÃO INTEIRO da respeitada frota da Fundação Nacional do Índio, antes orgulho da autarquia por sua eficiência, bravura e competência (atualmente com equipe de pilotos terceirizados), hoje estando a aeronave à disposição dos interesses privados da esposa do presidente Márcio Meira, dirigente da "Ong Amiga" IEPE (estando outra aeronave abandonada e se degradando na TI Kayapó há mais de dois anos, a frota de oito aviões da Funai foi reduzida a seis – contribuição pessoal de Rilder ao patrimônio da casa).

Márcio Custer Meira, Exterminador dos Povos Indígenas Brasileiros, ao lado de suas mais fiéis colaboradoras na tarefa de desmontar toda estrutura de proteção aos Povos Originários, Salete Miranda (a Chefe de Gabinete que não desce com índio no elevador) e Socorro Brasil (Coordenadora Geral de Gestão de Pessoas, responsável pelo perseguição, assédio moral, afastamento e mesmo exoneração de servidores probos e experientes da Funai), três personagens nefastos que encarnam ao extremo a máxima Yanomami de que "a Funai é como um pai que não defende os seus filhos da Onça".

No dia 19 de abril de 2011 completam-se também 485 dias em que os últimos seis sobreviventes do Povo Avá-Canoeiro, vítima de toda sorte de massacres e chacinas ao longo dos últimos três ou quatro séculos (ver “Homi matou papai meu : uma situação histórica dos Ava-Canoeiro”, TOSTA, Lena Tatiana Dias. UnB, 1997 - o ciclo de sangue só terminando em 1983, quando doentes, esfomeados e cansados de tanta fuga e tanta morte "se entregaram" a um posseiro que os encaminhou à Funai), habitam 38 mil hectares cobiçados por milhares de posseiros e por duas companhias de energia, Furnas e Tractebel, que anseiam secretamente pelo extermínio (sendo que há cerca de 5 anos atrás a Hidrelétrica de Canabrava despejou quantidade desproporcional de veneno no rio que serve aos Avá, provocando mortandade de peixes e animais), sem um Posto de Vigilância da Funai para monitorar a área, tendo sido a única unidade da Fundação Nacional do Índio extinta (e depredada por posseiros em festa) e o único servidor encarregado de fazer a mediação entre Avá-Canoeiro e sociedade envolvente exonerado, o que equivale dizer que os sobreviventes Matxa, Nakwatxa, Tuie, Iwaí, Trumak e Putitxawa - últimos representantes de uma etnia, de uma cultura, de uma língua e de uma cosmologia únicas no planeta - estão em completa situação de risco, ameaçados de Extinção.



No 19 de abril de 2011, ainda não completa um mês sequer que o deputado petista Saguas Moraes conseguiu as 171 assinaturas necessárias (o número das assinaturas angariadas é equivalente ao artigo que no Código Penal enquadra a argumentação usada para convencer indígenas da legitimidade de tal frente) para criação da Frente Parlamentar Indigenista, um exército de 171 parlamentares que, violando a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) para tocar à frente os projetos do recém-falecido deputado Eduardo Valverde (PT), autor e relator sobre projetos de lei sobre mineração em Terras Indígenas(PLs 1610/96, 7099/06 e 5265/09), defendendo que o licenciamento para a exploração mineral se dê de forma licenciatória e não participativa, o que significa dizer que quem irá explorar - até o bagaço - o minério será uma gigante do setor, como a Vale ou De Beers, e que os maiores interessados, os Povos Indígenas, não serão consultados sobre a mineração em suas Terras, assim como, a participação das comunidades indígenas no lucro obtido com a exploração não passará nunca de 03% (no projeto de lei do senador Augusto Botelho o percentual de 03% vai para o Exército Brasileiro, que, segundo projeto suplementar, instalaria junto com a Polícia Federal bases nas Terras Indígenas Brasileiras, certamente no intuito de “proteger os minérios" da “cobiça dos indígenas”).

No dia 19 de abril de 2011 completam-se 7 anos do momento histórico em que o Povo Cinta Larga (Tupi-Mondé), vítima da ganância desenfreada provocada pela exploração do diamante-cor-de-rosa (com sua cota de opressão, agressões, violações, assassinatos, doenças e alcoolismo), foi obrigado a forçar a desintrusão de 5 mil garimpeiros em abril de 2004, presenteando o Governo Luis Inácio Lula da Silva com 29 cadáveres encontrados. Desde então, a perseguição institucional e para-institucional contra o Povo Cinta Larga se intensificou (e, por estranha coincidência, o Instituto de Traficância de Direitos Indígenas conhecido como Sócio-Ambiental (ISA), de onde saiu o atual presidente da Funai, Márcio Meira, parou de documentar a violência contra os Cinta Larga quando a pressão se intensifica, sendo a última ocorrência registrada em abril de 2004), com o Estado Brasileiro colocando barreiras e forças tarefas da Polícia Federal e da Força Nacional de Segurança Pública para intimidar e coagir indígenas, impedindo-os de usufruir a riqueza pecuniária que se encontra aos seus pés – estando muito claro para lideranças e observadores isentos que, ao contrário do que afirmava a revista Veja e outras publicações reacionárias, o diamante da TI Roosevelt só enriqueceu “os brancos”, deixando indígenas em petição de miséria (até duas semanas atrás, o único veículo que servia a aldeia do Cacique João Bravo, acusado por publicações reacionárias de enriquecer com o diamante, era a viatura emprestada pela Funai-Cacoal pelo período de 40 dias, cujo prazo estava vencendo – portanto, hoje, dia 19 de abril, caso algum indígena da Aldeia João Bravo precise ser deslocado para hospital por conta de uma emergência fatalmente morrerá sem ser atendimento).

Há menos de um mês eclodiu a revolta na TI Roosevelt, com seqüestro de cinco funcionários e a ocupação da Coordenação de Cacoal (os indígenas exigem que, dos R$ 7,5 milhões repassados à Polícia Federal para proteger os diamantes, ao menos 2,5 milhões fossem destinados à projetos para as comunidades Tupi-Mondé, o que foi acordado com o MPF e PF, mas a Funai nunca repassou um só centavo para as aldeias Cinta Larga; Márcio Meira tentou transferir a unidade para Juína, no Mato Grosso, onde há "curiosamente" uma "bolsa" de diamantes e, não obtendo sucesso graças à resistência indígena do Povo Cinta Larga, nomeou um coordenador para Cacoal, Robson Amaro, contrário às aspirações indígenas e fiel à máquina do PAC), sendo a coordenação desocupada violentamente pela Polícia Militar com o apoio da Polícia Federal sem que a repetidora local da Tv Globo e os jornais da região noticiassem uma só linha sobre a violência e o arbítrio da ação.

Servidores afastados e indígenas comentam que Márcio Meira tentou durante mais de um ano convencer lideranças Cinta Larga a permitir que uma equipe de trabalho de uma suposta empresa de energia privada entrasse na TI Roosevelt para avaliar condições de construção de PCHs (Pequenas Centrais Hidrelétricas) nos Rios Roosevelt e Cardoso (exatamente onde se encontram as formações vulcânicas sob as quais aflora o diamante), em estória considerada “estranha” por todos e de fundo nebuloso. Não obtendo êxito, o presidente da Funai “permitiu” em novembro de 2010 que o Cacique João Bravo Cinta Larga fosse preso sem acusação formal em Espigão d’ Oeste (RO) por uma equipe da Polícia Federal de Mato Grosso e levado para a carceragem em Cuiabá, onde permaneceu preso por três dias, em história estranha de fundo mais nebuloso ainda – tento a Procuradoria do órgão se omitido na defesa e João Bravo tendo sido solto por pressão do MPF-RO, funcionários probos da Funai-Cacoal e de lideranças indígenas sobre o juiz que assinou a prisão a partir da denúncia vazia. Tudo indica que, ao saberem do resultado das eleições de outubro, dando a congressistas como Valverde, Jucá e Botelho massa suficiente de parlamentares para levar à frente os seus projetos genocidas de mineração, os Intere$$ados começaram a pressionar – e o Povo Tupi-Mondé está hoje tão exposto ao banditismo comum e ao banditismo de Estado quanto na época em que assassinaram Carlito Cinta Larga (2001) e César Cinta Larga (2002).


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Polícia Federal, em ronda pelos garimpos na região do Rio Roosevelt (RO), protege os famosos Kimberlitos (formação rochosa onde afloram os diamantes cor de rosa), suposto patrimônio da união, contra notória "ganância dos indígenas" - que não possuem recursos sequer para uma lata de leite ninho.

No dia 19 de abril de 2011 completam também quase seis meses que os Povos Indígenas do Acre protestam estóica e heroicamente e sob o boicote cerrado da mídia corporativa contra a omissão do Estado – a nível municipal, estadual e federal, principalmente no que tange às ações emergenciais de Saúde – nas ruas da capital Rio Branco sem sensibilizar autoridades nem despertar a opinião pública de seu sono bovino.

Desde o dia 29 de dezembro de 2010, quando representantes de 14 etnias ocuparam o prédio da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) e tomaram 50 servidores como reféns (sendo liberados em seguida, com o prédio desocupado – por meio da destituição de Maurílio Bonfim, então Chefe do Distrito Sanitário Especial e do perjúrio e cinismo institucionais, expressos nas promessas da Funai e Funasa de que “em 30 dias todos os problemas estariam sanados”), que as lideranças indígenas do estado – acampadas em barracas de lona e palha, primeiro diante da sede da Funasa, agora diante da sede do governo - exigem prestação de contas dos 15 milhões mensais repassados pelo Governo Federal para atendimento de saúde indígena no estado governado por Tião Viana (PT), sendo a população indígena acreana hoje vitimada mortalmente por doenças e moléstias completamente tratáveis e já debeladas entre a sociedade envolvente.
O imóvel da Casai (Casa de Atendimento ao Índio) de Alto Rio Purus foi então novamente ocupado no dia 20 de janeiro de 2011, prendendo servidores e inclusive o novo chefe do DSEI, Raimundo Alves Costa, sem que Estado Brasileiro oferecesse solução a não ser mais promessas e força policial desproporcional para os que não querem escutar mais lorotas. Enquanto crianças e idosos indígenas morrem de doenças facilmente tratáveis, as lonas de protesto continuam erguidas nos gramados de Rio Branco sem que as repetidoras de TV locais nem as autoridades competentes esbocem qualquer reação.



Mãe Indígena luta pelo Direito Constitucional de Acesso à Saúde diante do palácio do Governo do Acre em protesto ininterrupto de 14 etnias indígenas que já dura mais de 5 meses.

No dia 19 de abril de 2011, completam 11 anos em que as lideranças dos Povos do Vale do Javari (AM), terceira maior reserva indígena do país, perfazendo 1.200 km de fronteira com o Peru, abrigando pelo menos 16 Grupos Isolados e marcada por grandes tragédias, gritam em plenos pulmões por um socorro que nunca chega, por conta de entraves causados pelo próprio Estado Brasileiro, vivendo uma das maiores epidemias de hepatite já registrada do planeta, com um óbito a cada 12 dias e tendo já 8% de sua população mortalmente vitimada pela doença e com cerca de 35% da população possivelmente infectada.

Habitada pelos Marubo, Matis, Mayoruna, Korubo, Kulina e Kanamary, sem contar com os Grupos Isolados, a área esquecida quando se trata de prever ou minimizar os danos causados pelas Hepatites A, B, C e D (grandes epidemias mortais de malária, coqueluche, tuberculose, meningite, cólera pneumonia e, inclusive, de desnutrição também foram registradas nos últimos 10 anos sem que o Poder Público manifestasse reação e disponibilizasse recursos que fossem usados efetivamente no combate e no tratamento), nem da desintrusão de madeireiros, traficantes, garimpeiros e milícias armadas brasileiras e perunas, o Vale do Javari somente foi lembrado por Márcio Meira, presidente da Funai, às vésperas do 2º Turno das Eleições Presidenciais de 2010, quando o órgão disponibilizou inúmeras lanchas municiadas de farta alimentação para percorrerem os 926 km de rios da Aldeia Maronal, no Rio Curuçá, até Atalaia do Norte, Município onde havia a urna eletrônica mais próxima – sem contar a distribuição de gasolina aos indígenas que foram votar (somente no 1º Turno das Eleições de 2010, a Funai organizou a distribuição de quase 7.000 litros de gasolina e 1.500 quilos de alimentos para as 63 canoas indígenas que chegaram até a orla de Atalaia do Norte, para garantir a vitória de Dilma Roussef e de candidatos do PT e PcdoB no pequeno colégio eleitoral de Atalaia).

Hoje, 19 de abril de 2011, completam-se quase seis meses dos protestos dos indígenas reunidos no Movimento Político do Vale do Javari, entre eles, a corajosa liderança Clóvis Marubo, contra a nomeação para o DSEI-Javari de uma ex-servidora da Funai, ex-primeira dama local e ex-Secretária Municipal de Saúde (indicação partidária atendendo a interesses menores e locais; omissa durante epidemias de coqueluche, cólera e malária e responsável pela morte de dezenas de Mayaruna da Aldeia Lameirão, hoje se dando ao luxo de recusar o diálogo com lideranças indígenas), lembrando que o médico petista Antônio Alves quando fez looby para criação do SESAI (Secretaria de Saúde Indígena), dizia o tempo todo que só assim, “com a criação da secretaria”, haveria a “participação indígena nas discussões e decisões”, e que, nos primórdios de agosto de 2010, enquanto o médico comemorava a criação do SESAI já haviam morrido 15 crianças Kanawari - de desnutrição, inclusive.

Passado sete meses da criação do SESAI, comemorado de forma autista por inúmeras lideranças, comprovou-se que não passava daquilo que já fora denunciado desde março de 2010 por colaboradores do CESAC: uma forma de retirar os recursos do Patrimônio Indígena do PMDB (à época, no Ministério da Saúde e na Funasa) para, em pleno ano eleitoral, repassar cerca de 400 milhões de reais às 61 Ongs neoliberais que aparelham as gestões petistas do Partido da Aceleração do Capitalismo (então excluídas do cadastro oficial por não prestarem contas de 45 milhões de reais), sem contar com a grande estrutura, contando com 690 veículos, aviões, 26 casas de apoio e muitos cargos (sendo que os cargos comissionados do terceiro escalão tanto do SESAI quanto da Fundação Nacional do Índio já estão prometidos ao PMDB, como compensação ao fato do partido de Zé Sarney ter sido “lesado” no butim de criação da nova secretaria).

O dia 19 de abril de 2011 é também marcado pelo estelionato político promovido pelo SESAI em conluio com a Fundação Nacional do Índio contra os Povos Indígenas brasileiros, em especial aos indígenas membros do CNPI, pois hoje consolida a farsa promovida pela Secretaria Especial de Saúde Indígena – para desmobilizar e neutralizar protestos em todo o país – de que no dito “Dia do Índio”, 19 de abril, comemorado majoritariamente por crianças brancas, todos os Distritos Sanitários Especiais (Dsei) estariam prontos e funcionando com autonomia, o que não se cumpriu. Márcio Meira cumpriu apenas com a sua parte na farsa dizendo que disponibilizaria as unidades regionais da Funai para apoio “a uma efetivação política da Saúde Indígena”, mas o que se viu do presidente da República do Açaí Azedo até agora foi apenas a efetivação da nomeação política de aliados pessoais e parentes.

O estelionato se dá sem que houvesse resposta às epidemias de gripe, sarampo e verminoses crônicas e a ausência crônica de remédios em área Yanomami, denunciadas pelos líderes da etnia ao próprio Antonio Alves no início de novembro de 2010; o estelionato político promovido por Funai e SESAI se dá em um momento em que se vem à luz o índice de contaminação por HIV entre indígenas do Parque do Tumucumaque, assim como, a divulgação da violenta contaminação por mercúrio entre indígenas da TI Mãe Maria (responsabilidade da mineradora genocida VALE) e de pelo menos 40 casos de Kayapó soropositivos na região; o estelionato político eleitoreiro se deu sem que houvesse resposta à violenta “epidemia de óbitos” por doenças tratáveis e desnutrição entre os Xavante (Povo que, após a extinção da Coordenação Regional de Goiânia pelo decreto 7056/09, não tem mais uma unidade confiável para recorrer); a Funai, que tem obrigação constitucional de zelar pela vida e bem-estar dos Povos Indígenas, se permitiu participar da farsa promovida por Antonio Alves & Governo Federal sem nunca dar resposta à “epidemia de suicídios” que grassa entre o Povo Kaiwoá, que, ao invés de receber do Governo Federal a ampliação necessária de seu Território para a sobrevivência e a proteção Territorial prevista pela Constituição, recebe em 2010 um “Prêmio” da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, como se a estatueta ofertada pela Presidência fosse algo de comer e como se uma estatua só fosse suficiente para alimentar toda uma população que não tem espaço para plantio ou caça.

A Hipocrisia Institucional e o Terrorismo de Estado, base das relações entre povos indígenas e interesses europeus e neo-brasileiros desde os primórdios da colonização (quando Padre Anchieta, por um lado, escrevia “autos” em idioma nativo e protegia de “maus portugueses” grupos indígenas que lhes fossem obedientes e "tementes à Deus", por outro, insuflava o governador-geral a enviar tropas para massacrar a “Confederação Tamoia” sediada em Uruçumirim, atual Rio de Janeiro), nunca foram tão praticados na questão indigenista quanto nesses 485 dias de decreto 7056/09: o chefe máximo do Governo Federal, Luiz Inácio Lula da Silva, no dia dois de julho de 2010, posa abraçado e sorridente ao lado de Gliceria Jesus da Silva (Célia Tupinambá) em Brasília - a fim de garantir tranqüilidade para a foto as agências de segurança montaram operação de guerra na Esplanada dos Ministérios, com helicópteros, ROTAM, tropas de choque, cavalaria e a determinação que os militantes do Acampamento Indígena Revolucionário se afastassem ao menos um quilômetro da reunião do CNPI - e, no dia seguinte, 3 de junho, a Cacique recebe voz de prisão da Polícia Federal ao desembarcar no aeroporto com filho, Erutawã, de apenas dois meses, sendo levada – sem explicação ou sequer direito a um telefonema - direto para carceragem.


A questão de Glicéria e dos Tupinambá de Olivença é sintomática do processo de criminalização - mediado pela Hipocrisia Institucional - ao qual os indígenas estão sendo submetidos para que o Governo Federal possa levar a cabo os projetos genocidas do Programa de Aceleração de Capital e o fomento da agroindústria e do turismo de massa; tendo toda a sua família presa e agredida (inclusive a sua mãe baleada com tiro de borracha no peito pela Polícia Federal em 2008), com o seu irmão encarcerado em Prisão de Segurança Máxima em Mossoró (RN) por “formação de quadrilha” (como se liderar um Povo fosse encabeçar uma corja de bandidos), outro irmão, Givaldo, preso meses após, Glicéria Jesus da Silva talvez tenha pensasse que o Governo Federal lhe desse imunidade contra a pressão da indústria do turismo e do agronegócio dentro da máquina do Estado por conta de sua posição no Conselho Nacional de Política Indigenista (CNPI) e pelo próprio status de “mãe”, tendo viajado com bebê de dois meses no colo, mas ainda não havia entendido que para a quadrilha que tomou conta do Ministério da Justiça, da Casa Civil (Secretaria de Assuntos Indígenas da Presidência da República), do Palácio do Planalto e da Fundação Nacional do Índio, uma mão só é estendida para que a outra possa melhor tomar – sejam os Diretos Indígenas, sejam as Terras e Rios Sagrados, seja a Representatividade, o Patrimônio ou a Liberdade em si.

É bom lembrar que, como disse um funcionário da Funai não identificado por estar prestes a se aposentar, “antigamente o servidor era preso para fazer valer a Lei 6001 e não permitir que tocassem no indígena, hoje é o contrário, é a Funai que chama a polícia”: os tempos são outros e, como se pode ver, lembrando aqui os 43 mandatos de prisão cumpridos pela Polícia Federal na Terra Indígena Canabrava (MA) a pedido da própria presidência da Funai nos últimos meses de 2010, a atual Fundação Nacional do Empreendedor (FUNAE) se consolidou como uma máquina de expoliação, criminalização e repressão aos Povos Indígenas e seus Direitos – e o único crime cometido pelas lideranças Tupinambá foi o de lutar pela Retomada de suas Terras (algo que a Fundação Nacional do Índio teria a obrigação constitucional de assessorar).


A foto (abaixo) é emblemática desse regime criado há 485 dias, onde a tutela de proteção – confundida malandramente com “resquício do autoritarismo” por Guga Sampaio – é completamente esquecida, embora não tenha sido votada nenhuma lei em substituição à 6001, as Procuradorias da Funai desmontadas de tal modo que não há mais qualquer tipo de registro geral sobre quantos índios estão presos no Brasil e em quais condições de encarceramento(as defensorias públicas estaduais, não familiarizadas com o Estatuto do Índio, assumindo a defesa de indígenas criminalizados) e a palavra das autoridades federais, constitucionalmente eleitas, vale menos do que uma moeda furada de cinco centavos; o hipócrita e covarde presidente Lula, como se estivesse em campanha eterna, beija o bebê cuja mãe será presa em menos de 24 horas (Candidato Caô, por Bezerra da Silva: http://www.youtube.com/watch?v=f3UycTiQW4s), do mesmo modo de que sempre tratou as aspirações indígenas e neo-brasileiras, fazendo promessas que serão esquecidas na manhã seguinte e esquecendo o respeito à vida e à dignidade humanas no bolso do paletó que foi para a lavanderia.



Lula todo sorridente, beijando bebê 24 horas antes da prisão da Mãe (Glicéria Jesus da Silva, Célia Tupinambá): nunca na História desse País Houve Governante tão Cínico, Hipócrita e Covarde quanto esse.

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19 de Abril II (Recordar é viver, Serra do Padeiro, Bahia, abril de 2008):




Dona Maria Tupinambá, mãe de Célia Tupinambá e do Cacique Babau, entre outros guerreiros encarcerados pelo Terrorismo de Estado, baleada no peito (bala de borracha) pela Polícia Federal em ação de reintegração de posse realizada em 2008 com total anuência de Márcio Meira: exemplo do apreço do Governo Federal - e da Presidência da Funai - pelos Povos Indígenas, Comunidades Tradicionais e Idosos de todos credos e etnias.
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