sábado, 19 de junho de 2010

Carta de Marcos Terena em apoio ao Acampamento Indígena Revolucionário

Estimada Myrian e demais companheiros indigenistas e irmãos indígenas.
Li sua nota de preocupação abaixo e uma carta do líder Carlos Pankararu. Você com larga experiência nos movimentos populares e o jovem Carlos, poeta e músico, buscando somar aos demais indigenas que resistiram até onde puderam ao movimento belo, lúdico e politico do Terra Livre da Esplanada, que mesmo diante da ameaça de expulsão com o uso da força como dizem os delegados ou intermediado por uma carta judicial, resistiram com o sinal da Mãe Terra através de uma jovem Guajajara. Era a resistencia indigena que estavam buscando a queda do muro de berlim que se instalou na Funai, literalmente com um bunker (caminhonete de guerra) e quatro metralhas armados na entrada do prédio.
Resolvi escrever pois me lembrei de quando iniciamos o primeiro movimento indigena aqui em pleno Planalto Central, primeiro em 1977 até 1981 quando o governo militar usando da mesma estratagema de agora, tentou desmontar a União das Nações Indigenas oferecendo matriculas em escolas, bolsas de estudos e até empregos para quem aceitasse a oferta. Metade se foi e a outra metade continuou lutando. Era previsivel isso pois os indios também são pessoas com fragilidades e tentações tipicas do Jardim do Édem.
Esse foi um outro motivo de escrever a todos vocês, pois conhecemos as artimanhas do poder, seja dos militares, seja de um politiburo da esquerda sem rumo também tonto pelas tequilas do poder.
Não se deve desanimar como não o fizemos naquele tempo, pois uma semente foi plantada na sociedade como um todo. Os indígenas sabem que não se brinca com um movimento social e politico como a luta do próprio povo que é violentado, enganado e ainda acusado quando não compreende as artimanhas do enganador. Os aliados sabem que as limitações existem e por isso sempre estão juntos para lograr a vitória dos ideais e falo isso não somente para os animar, mas para testemunhar que diversos ditos lideres indigenas já começavam a se preocupar com o Terra Livre e o Governo Federal também, e se no passado o espelhinho deu certo ou aquela do Anhanguera colocando fogo no alcool para dizer que iria queimar os rios, continua valendo.
Hora de erguer a cabeça e praticar novos momentos na história do indigenismo e na história do nosso Pais. As eleições vem aí. Cadê o programa de índio da Dilma, do Serra ou da Marina? Vocês sabem? Nós também, não!
Brasileiros e Brasileiras, ih me confundi, Companheiros e Companheiras, a luta continua!
Saudação Indigena.
Marcos Terena

1 comentários:

Thyn disse...

"quando o governo militar usando da mesma estratagema de agora, tentou desmontar a União das Nações Indígenas oferecendo matriculas em escolas, bolsas de estudos e até empregos para quem aceitasse a oferta...pois conhecemos as artimanhas do poder, seja dos militares, seja de um politiburo da esquerda sem rumo também tonto pelas tequilas do poder" Brilhante!! O que mudou¿ Foram os nomes dados aos "benefícios" ou seriam malefícios?
A pergunta que não quer calar!

21 de junho de 2010 19:28

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