segunda-feira, 20 de setembro de 2010

A Águia, o Carcará e o Caboré - a Resistência Indígena nas Américas Sobrevoa Estados e Fronteiras



A Águia, o Carcará e o Caboré.

- A Resistência Indígena nas Américas Sobrevoa Estados e Fronteiras -


No dia 16 de setembro de 2010, 66º Dia da Greve de Fome dos 32 Prisioneiros Políticos Mapuche, lideranças do Acampamento Indígena Revolucionário (AIR), do CESAC (Centro de Etnoconhecimento Socioambiental e Cultural Cauieré) e American Indian Movement (AIM) se reuniram no bairro de Santa Teresa, no Rio de Janeiro, discutindo quais os caminhos para romper com o silêncio criminoso da mídia corporativa, se omitindo quanto às ações de Genocídio, Etnocídio e de Terrorismo de Estado perpetrados contra os Povos Originários das Três Américas.

Na ocasião, foi idealizada uma Moção de Apoio ao Povo Potiguara, obrigado a seqüestrar servidores da Funai para serem ouvidos sobre os efeitos nefastos do Decreto Presidencial 7056/09, publicado em pleno recesso parlamentar, e exigirem que o Governo Federal cumpra a Constituição no que diz respeito ao atendimento e a proteção aos Povos Indígenas Brasileiros, reabrindo imediatamente os Postos Indígenas e as Administrações Regionais criminosamente extintas por uma política de governo claramente a serviço do Genocídio, do Etnocídio e do Holocausto Ambiental – assim como, a todas as lideranças indígenas que recusam a farsa eleitoral promovida pela Funai e paga pelo contribuinte, ao custo de 17 milhões doados a uma empresa de publicidade e eventos, para tentar convencer os Povos Originários que retirar toda a proteção estatal, garantida pela Constituição Cidadã de 1988, entregando o Patrimônio Indígena à iniciativa privada e ter ainda o Direito de Consulta, entre outros tantos direitos garantidos pelas Convenção 169 da OIT e Declaração da ONU Sobre os Direitos dos Povos Indígenas (2007), repetidamente violados pelo CNPI, organização ilegal presidida pelo criminoso Márcio Meira, que dá as diretrizes da Funai sem ouvir as lideranças indígenas legitimamente escolhidas pelas aldeias e comunidades, é uma benesse e que o mais feio Urubu se chama, na verdade, Seu Louro.

A dignidade e o heroísmo das lideranças indígenas que dizem NÃO às tentativas de cooptação por parte da direção da Funai e do Gabinete da Presidência da República, que não tem escrúpulos de lançar mão da coação, da violência, do assédio moral, do suborno e da chantagem para alcançar seus objetivos, foi homenageada pelos presentes, assim como, foram lembrados os exemplos dos militantes do AIM, fazendo em Washington uma grande fogueira com os cheques de 10 mil dólares ofertados pelo governo americano em 1972, e dos indígenas do AIR, que, tendo recusado as benesses do hotel pago, da alimentação gratuita e da “repo$ição de gastos” oferecidos por Paulo Maldus (Casa Civil), Ana Patrícia (Gabinete do Ministro da Justiça) e Aluysio Guapindaia (Vice-Presidente da Funai) e - com barracas, alimentos e cobertores covarde e estrategicamente furtados por operação policial – optaram por resistir ao relento na Esplanada dos Ministérios sob o mais rigoroso inverno do Planalto Central.

Vernon Foster Lakota, veterano guerreiro da militância indígena norte-americana, trouxe a experiência do American Indian Movement (AIM), maior organização de resistência originária da América do Norte, nascida em 1968 contra a brutalidade policial e o Cerco da Morte protagonizado pelo Estado e sociedade envolvente contra os Povos Indígenas, sendo obrigada a recorrer à luta armada nos anos de 1970. Os Lakota, em protesto às repetidas violações aos Tratados Governamentais e pela preservação da língua e da cultura, declararam a sua Independência dos EUA em Washington, rasgando os seus documentos de identidade e renunciando a cidadania americana em dezembro de 2007, sob a voluntária cegueira da mídia corporativa, o silêncio e a hipocrisia das embaixadas e o desconhecimento total da opinião pública mundial – uma República Indígena sob as barbas do maior império militar do planeta.

Carlos Pankararu, vice-presidente da Associação Pankararu Raiz da Serra e fundador do Acampamento Indígena Revolucionário (AIR), há nove meses resistindo às tentativas de cooptação, corrupção, intimidação, coação, assédio moral e chantagem por parte da Funai, Ministério da Justiça e Gabinete da Presidência da República e ao Terrorismo de Estado promovido pelo Governo Luís Inácio Lula da Silva, com a subserviência canina do Governador Fantoche do Distrito Federal, falou da luta contra o Decreto Genocida 7056/09, lembrando das mães e pais de família, crianças, gestantes e idosos indígenas agredidos covardemente com gás pimenta, choques elétricos e golpes de cassetete e dos jovens indígenas (e apoiadores) presos com brutalidade, do cerco policial que impedia a chegada de cobertores, remédios e alimentos aos indígenas acampados no mais rigoroso inverno da Esplanada dos Ministérios, da intimidação covarde promovida pelo Choque Montado (Cavalaria), ROTAM, BOPE, Polícia Civil, Polícia Militar e Polícia Federal contra pais de família e seus filhos e netos, do assassinato de árvores frondosas para impedir que os manifestantes estiquem redes e faixas de protesto diante do Ministério da Justiça, da presença de cães, helicópteros e atiradores de elite para intimidar famílias indígenas indefesas, das ameaças à liberdade e à vida perpetradas contra membros do AIR e seus familiares, das agressões sofridas por membros do Acampamento Indígena Revolucionário e da perseguição estatal e para-estatal e do monitoramento ilegal realizados contra o Movimento Indígena Revolucionário e do assédio moral contra seus membros; lembrando ainda que um acampamento não é feito de lona, mas, sim, de militantes – e os apoiadores, indígenas ou não, começam a se manifestar nas mais diversas partes do país e do exterior – e que a natureza de um Movimento Indígena é a de se mover, não se atendo a bases e abrindo continuamente novas frentes, conclamou aos Povos Originários que se levantem contra a política de extermínio patrocinada pela atual administração federal e pelo Partido dos Trabalhadores, a serviço de interesses pecuniários e eleitoreiros, acampando, ocupando, protestando e denunciando o governo brasileiro por Crimes Contra a Humanidade nos mais diferentes pontos do Brasil e protagonizando a luta contra o “decreto sangrento” e a criminosa gestão petista nos mais diferentes Estados da Federação.

Arão da Providência Guajajara, advogado da Comissão de Direitos Humanos da OAB e presidente eleito do CNDI (Conselho Nacional de Direito Indígena), representando o CESAC, entidade que carrega a luta e os princípios do Cacique Cauieré Imana, seu bisavô assassinado pelo Exército Brasileiro em 1901, e o Instituto Tamoio dos Povos Originários, organização pluriétnica em defesa da criação da primeira Universidade Indígena do país no imóvel do Antigo Museu do Índio, ameaçado pela cupidez inescrupulosa dos governantes no bairro do Maracanã, Rio de Janeiro, lembrou mais uma vez que os Direitos Indígenas são Indisponíveis, Inalienáveis e Imprescritíveis, estando o Governo Brasileiro em situação de ilegalidade – e não o Movimento Indígena Revolucionário. Arão da Providência convocou ainda as lideranças indígenas Tamuya de todo o Brasil a participar do Conselho Nacional de Direito Indígena, trazendo experiência e vontade de luta, e a criarem Conselhos Estaduais de Direito Indígena por toda a Federação.

Durante a reunião, foi lembrada a necessidade de apoio ao Povo Kaiowá, no MTS, cujos etnocídio e genocído estão sendo levado a cabo, cruel e paulatinamente, com o apoio da caneta cúmplice do Ministro da Justiça, Paulo Barreto, satisfazendo alianças políticas regionais – de cunho eleitoreiro, pontual - da Presidência da República e a interesses pessoais do Ministro do STF, Gilmar Mendes; do Holocausto do Povo Awá no Maranhão e dos Povos Indígenas Isolados em pelo menos seis (6) Estados brasileiros, promovidos pela ação voluntária ou pela omissão igualmente voluntária do Governo Federal (a Funai e o IBAMA possuem documentos que atestam esses Grupos Isolados, tratados pelo Governo Lula como bagres e pererecas atravancando o desenvolvimento, obstáculos a serem criminosamente eliminados pelos interesses pecuniários e eleitoreiros do PAC); assim como, o massacre de indígenas e violações aos Direitos Humanos promovidos pelas Repúblicas da Colômbia, do Peru, Argentina, Guatemala, México, EUA e demais países onde, sob suposto “Estado de Direito”, se aproveitam do desinteresse da opinião pública e do silêncio midiático para levar à cabo a política de extermínio iniciada no continente por volta de 1.500 DC – e, em especial, foi expressa a urgência de se divulgar uma Moção de Apoio e Solidariedade aos 32 presos Mapuche, enquadrados por uma lei de Antiterrorismo criada pela República Etnocida e Genocida do Chile para neutralizar e sufocar a resistência indígena, e a necessidade de medidas efetivas para romper com o silêncio criminoso da grande mídia e denunciar as violações aos mais básicos Direitos Humanos de Povos Indígenas em qualquer parte do mundo onde forem cometidas.

A reunião terminou na madrugada de sexta-feira com a proposta de estreitamento de laços entre as organizações e de ações a nível internacional para despertar a opinião pública internacional para os Crimes Contra Humanidade cometidos pelo Brasil e demais Estados onde os Direitos Indígenas estejam sendo violados – além da necessidade de se alertar a ONU - cujo relatório sobre a situação dos Povos Indígenas no país foi redigido antes do Decreto Presidencial Doloso, estando, portanto, defasado – sobre a atual situação dos Povos Originários do Brasil.

Posteriormente ao encontro, no sábado, dia 17 de setembro, foi denunciada a tentativa de Assassinato Coletivo por parte do presidente da República Democrática do Chile, Sebastian Piñera, contra os 32 presos políticos indígenas que resistem heroicamente em greve de fome desde 12 de julho de 2010, postergando a reunião com os líderes Mapuche, exigência dos prisioneiros para encerrar com o Movimento, para depois das Festas de Bicentenário do Chile, que ocorrem essa semana, colocando em sério risco a vida de dezenas de pessoas “indesejáveis” aos Interesses de Estado e ao Capital Internacional.

Resistindo desde o século XIX, os Mapuche, que tiveram 95% de seu território saqueado, sofrem ainda o dano causado pela Lei Antiterrorismo e pelo Decreto de Divisão de Terras Comunitárias, ambas criações do Ditador Augusto Pinochet, que estabeleceu que “uma vez liquidado o conceito de comunidade, deixam de ser terras indígenas, e indígenas os seus habitantes”. A opressão contra os indígenas do Chile foi herdado pelos “governos democráticos”, graças ao silêncio criminoso da mídia corporativa – a qual uma greve de fome – e uma vida humana – só é digna de ser reportada e divulgada quando serve a interesses pecuniários e “ideológicos” imediatos, tal como a dos presos políticos cubanos.

O tema do mito da “Águia e o Condor”, que fala da união das etnias indígenas da Patagônia ao Alasca, foi recordado para ilustrar que a experiência revolucionária, a majestade e a profundidade de visão da águia, encarnada pelo veterano Vernon Lakota, hoje voam junto com as habilidades inauditas, as estratégias implacáveis, a voracidade e as potencialidades do Carcará, incorporadas pelo guerreiro Carlos Pankararu na vastidão dos Sertões, e a força, a resistência e a capacidade de luta, a visão límpida e a nobre irredutibilidade do Caboré (Caiueré), herdadas por Arão da Providência Guajajara do Herói Cauieré Imana, devem traçar um plano de vôo comum, sobrevoando Estados, Fronteiras e Instituições nas lutas pelos Direitos que devem prevalecer nessa Grande América que nos foi legada.

O Movimento Indígena Revolucionário, apoiado por CESAC, AIM e Movimento Tamoio, com a estratégia paciente das mais nobres aves de rapina, admira a virulência, a grandeza e a autonomia de vôo do Condor, apoiando o levante Mapuche contra a opressão e o Terrorismo de Estado secular; enquanto, com o outro olho observa serenamente a chegada das forças do Uirahu (Gavião-Real), do Muiukú (Cobra-Grande), do Kapima (Veado), do Yakaré (Jacaré), do Tapi’it (Anta), do Yawewit (Arraia), Anuiá (Rato) e o poderoso Wirá, entre outros Parentes, mobilizados pelo Yawat (Onça-Grande) com a força incontrolável do Iwitú, para a luta sem tréguas pelos Direitos Inalienáveis dos Povos Originários e pela Diversidade Étnica, Cultural e Ambiental do Planeta - permitindo, assim, que os Dois Irmãos, Sol e Lua, continuem a iluminar o Caminho dos netos.



Política Indigenista do Governo Lula para os Povos Originários Brasileiros

1 comentários:

Martins disse...

Preciso de contatos com comunidades indigenas do norte do Pais, objetivo é a difusão da cultura nos meios sulistas
Trataremos da questão politica e inclusão
O tema do trabalho é a DEFESA DA AMAZONIA BRASILEIRA retorno para
assessoria.martins@gmail.com

25 de novembro de 2012 12:37

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